quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Dora Yu

Postado por: O Criador & Criatura


BIOGRAFIA CRISTÃ : Yu Cidu ou Yue Ling Tsz (1873-1931), também conhecida como Dora Yu, foi uma Evangelista que atuou na China.

"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.". (1ª Coríntios 13:13, VRA, SBB).

Dora Yu
Dora Yu.
(1873-1931)
Dora Yu formou-se no verão de 1896 na Faculdade de Medicina de Soochow. Depois de ter sido diplomada na escola de medicina, Dora continuou a servir no Mary Black Memorial Hospital.

Ela foi saudada pelos missionários ocidentais como a Evangelista chinesa "mais proeminente" da China no começo do século XX. Seu ministério de reavivamento foi particularmente eficaz no meio da classe alta, educada, chinesa.

"Entre os evangelistas que o Senhor levantou na China, havia uma jovem irmã cujo nome em inglês era Dora Yu e, em chinês, Yu Tzu-tu. Ela foi salva ainda bem jovem e, mais tarde, enviada por sua família à Inglaterra para estudar medicina. A caminho da Inglaterra, seu navio aportou em Marselha, no sul da França. Naquele momento, ela ganhou um pesado encargo e disse ao capitão que não poderia continuar a viagem e que teria de voltar para pregar o evangelho de Cristo. O capitão ficou perplexo, mas nada pôde fazer a não ser enviá-la de volta para a casa. (...). / Ela saiu de casa, peregrinando pelas ruas e pregando o Senhor Jesus. Ninguém a assalariou. Ela simplesmente confiava no Senhor. Por meios supridos pelo Senhor, ela alugou uma loja num subúrbio de Xangai para a pregação do evangelho. A partir de então, foi convidada pelas denominações para realizar muitas reuniões de pregação do evangelho. Ela viajou extensivamente por muitas províncias fazendo a obra do evangelho, e tornou-se uma testemunha prevalecente para o Senhor. Ela continuou a pregar pelo resto de sua vida, levando centenas de pessoas ao Senhor. (...). / Em Fevereiro de 1920, Dora Yu foi convidada para ir a Fuchow, capital da província de Fukien, onde pregou o evangelho num auditório metodista. Sua pregação foi tão convincente e cheia de poder que, depois de cada reunião, podiam-se encontrar fileiras de lágrimas no piso, devido ao choro da audiência. Muitos foram salvos. Entre os convertidos estava uma senhora chinesa muito culta, a mãe de Watchman Nee". Witness Lee.


Watchman Nee
Watchman Nee.
(1903-1972)
WATCHMAN NEE

"Em uma das reuniões de reavivamento de Dora Yu em Fuzhou, em 1920, o jovem Watchman Nee, de 17 anos, experimentou uma poderosa salvação e imediatamente se consagrou ao serviço em tempo integral a Deus. Dora Yu foi não só a "mãe espiritual" de Watchman Nee (1 Co 4:15) mas também sua mentora por meio de quem Watchman Nee foi introduzido nas verdades bíblicas fundamentais e na experiência de vida interior."





Guerra Chinesa
GUERRA CIVIL CHINESA
(1927-1937; 1946-1949)

O ano de 1927 foi crítico na história do movimento missionário ocidental na China. Naquela época o país estava politicamente dividido em regiões autônomas sob o controle de déspotas regionais, cuja base se localizava no norte e centro da China.

Guerra Civil Chinesa (1927-1937; 1946-1949) é o nome dado para o conjunto de conflitos entre as forças chinesas nacionalistas e comunistas. Normalmente o período da Guerra Civil é focalizado depois do término da Segunda Guerra Mundial, todavia, tais conflitos remontam ao final da Dinastia Qing, em 1911.

Chiang Kai-Shek
Chiang Kai-Shek.
(1887-1975)
Os horrores começaram em 1927, durante a expedição de Jiang Jieshi, também conhecido como Chiang Kai-Shek. Ele foi um militar político chinês que assumiu a liderança no ano de 1925 do Kuomintang (Partido Político Conservador Chinês), um partido existente naquela época.

Kai-Shek comandou a Expedição do Norte, que tinha como objetivo unificar a China contra os chamados Senhores da Guerra na China, os quais dominavam muitas regiões do país. No ano de 1928, saiu vitorioso como líder da República da China.

Foi escolhido como o Homem do Ano, em 1937, juntamente com sua esposa Soong May-ling (1898-2003), filha do missionário metodista Charlie Soong. Ela faleceu com 105 anos. Além de primeira-dama, sua esposa foi política e pintora.

Assim como sua esposa, Chiang Kai-Shek, também era um cristão metodista.

A República da China ingressou no ano de 1937 na Segunda Guerra Sino-Japonesa com o Império do Japão. Essa guerra fragilizou a imagem de Kai-Shek dentro da China, no entanto, sua imagem cresceu exteriormente. Na Guerra Civil Chinesa (1927-1949), ele tentou erradicar os comunistas chineses, entretanto, falhou nessa tentativa e foi forçado a recuar seu governo para a ilha Formosa (também conhecida como Taiwan), onde continuou atuando como presidente dessa ilha. No dia 27 de Julho de 1953, foi assassinado durante um acordo de paz em Pan Munjon.

Durante os primeiros anos do conflito contra os comunistas, os nacionalistas chineses alcançaram ganhos territoriais, incluindo a capital comunista de Yan'an. No entanto, o partido Kuomitang desmoronou junto com Chiang Kai-Shek, por causa do sucesso das operações militares comunistas, o que diminuiu a confiança da administração de Kai-Shek.

No ano de 1948, os nacionalistas perderam meio milhão de pessoas, dentre os quais muitos desertaram para o lado comunista. A vitória comunista foi completa quando o governo nacionalista recuou para a ilha Formosa (Taiwan).

Quando iniciou o seu governo em Taiwan, Kai-Shek, frequentou as reuniões da "Restauração do Senhor" (movimento iniciado por Watchman Nee como resultado de acurada investigação nos diversos escritos da História da Igreja). Quando Chiang Kai-Shek começou a frequentar as reuniões da "Restauração do Senhor", o movimento estava sob liderança de Witness Lee (1905-1997), cooperador de Watchman Nee (1903-1972).

Mao Tsé-tung
Mao Tsé-tung.
(1893-1976)
Depois da queda do partido nacionalista encabeçado por Chiang Kai-Shek, o líder comunista Mao Tsé-Tung assumiu o poder. Ele também é conhecido como Máo Zédõng. Além de líder comunista, foi um político teórico, revolucionário chinês, é o fundador da República Popular da China. Suas ideias são conhecidas como Maoísmo.

Não estamos comparando os dois líderes, considerando que viveram em contextos diferentes, apenas estamos numerando mortos para exemplificação. Durante o governo de Adolf Hitler (1889-1945), aproximadamente 6 milhões de judeus foram mortos. Já Mao Tsé-Tung eliminou 70 milhões de chineses, dentre os quais muitos eram cristãos. No governo de Mao, o cristianismo livre foi dizimado!

Dora Yu testemunhou o sofrimento cristão dentro do conflito entre comunistas e nacionalistas: "Alguns missionários chegaram em Xangai somente com a roupa do corpo". Durante os conflitos, muitos cristãos e missionários foram mortos. Em 1927 foi fuzilado o primeiro missionário americano John E. Williams, vice-presidente da Universidade Nanjing. 

O estudo da vida e obra de Dora Yu ampliará eficazmente o entendimento do contexto do reavivamento da igreja cristã no início do século XX na China.


FONTE:

Livro: Biografia de Watchman Nee - O testemunho de um homem que viu a revelação divina nesta era.
350 páginas.
Autor: Witness Lee.
Editora: Árvore da Vida. (Brasil).

Livro: Dora Yu e o Reavivamento Cristão do século XX na China.
261 páginas.
Autor: Silas H. Wu.
Publicado por Pishon River Publications. (U.S.A.).
Editado e produzido por Editora Árvore da Vida. (Brasil).

Wikipédia, a enciclopédia Livre.


SOBRE O AUTOR SILAS H. WU:

Silas H. Wu nasceu em 1929. Sua formação acadêmica inclui Bacharelado em História (Universidade Nacional de Taiwan, 1954), Bacharelado em Química (Universidade de Berkeley, Califórnia), Mestrado em  Estudos sobre o Leste da Ásia (Universidade de Yale, 1963) e Ph.D. em História Chinesa e Japonesa (Universidade de Colúmbia, 1967). Quando em Taiwan, serviu os jovens e universitários como obreiro em tempo integral na Igreja em Taipei, de 1954 a 1958. Suas experiências acadêmicas incluem cargos em docência e pesquisas nas Universidades Yale, Colúmbia e Harvard. Ele é Professor de História Chinesa e Japonesa, emérito, na Faculdade Boston e associado em pesquisas no Centro Fairbank para Pesquisas do Leste da Ásia na Universidade de Harvard.

Seus artigos eruditos têm aparecido nas principais publicações acadêmicas nos EUA, Taiwan e Europa. Nas últimas décadas, tem concentrado suas pesquisas na história dos reavivamentos cristãos da igreja na China do séculos XX.

Thomas Cranmer

Postado por: O Criador & Criatura

BIOGRAFIA CRISTÃ : Thomas Cranmer (1489-1556) foi Reformador e Arcebispo de Cantuária (1533-1556) no transcorrer dos reinados de Henrique VIII e Eduardo VI.
"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.". (1ª Coríntios 13:13, VRA, SBB).
Thomas Cranmer
Thomas Cranmer.
(1489-1556)

Thomas Cranmer nasceu em 1489, em Aslockton, próximo da cidade de Nottingham, capital do condado de Nottinghamshire da Inglaterra, no Reino Unido. Seus pais eram socialmente humildes e suas condições financeiras permitiram apenas educar o filho mais velho, assim preteriram o filho Thomas. Desde cedo, Thomas Cranmer e seu irmão mais novo foram iniciados nos serviços religiosos.

Posteriormente, Thomas motivado por uma praga na cidade de Cambridge, sede do condado de Cambridgeshire, na Inglaterra, alterou sua residência para o condado de Essex, na Inglaterra, localizado no sudeste do Reino Unido.

Quando estava morando no condado de Essex, atraiu a atenção do Rei Henrique VIII da Inglaterra. O Rei e seus conselheiros identificaram Thomas Cranmer como um excelente advogado para advogar a causa matrimonial de Henrique VIII com Catarina de Aragão, bem como para exercer a função de pesquisador.

As pesquisas e o trabalho de Thomas Cranmer com o seu amigo John Foxe geraram precedente legal e histórico, permitindo ao Rei tecer uma tese acadêmica que rompesse com Roma.

John Foxe
John Foxe.
(1517-1587)
John Foxe foi um inglês Puritano Protestante e Martirólogo. Seu livro mais conhecido é "O Livro dos Mártires", que narra a história de sofrimento e perseguição dos principais mártires cristãos. Suas narrativas começam com Jesus Cristo até o final do reinado de Maria I da Inglaterra, proveniente da família Tudor, conhecida também como Maria, a Sanguinária. John Foxe narra a história dos reformadores e mártires famosos como Policarpo de Esmirna, John Wycliffe, John Huss, Martinho Lutero, Hugh Latimer, bem como relata a trajetória de outros que sofreram perseguições e martírio nos governos pagãos e pela Inquisição. O livro também relata a trajetória do seu amigo Thomas Cranmer. "O Livro dos Mártires" ajudou a moldar a opinião pública britânica sobre a Igreja Católica.

Thomas Cranmer foi enviado para a embaixada inglesa de Roma no ano de 1530. Durante o ano de 1532, ele foi constituído embaixador do Imperador Carlos V do Sacro Império Romano Germânico.

Cranmer "lia os autores antigos sem desprezar os novos; durante todo esse ínterim, analisava e comparava as opiniões de vários autores. Era um leitor lento mas um observador sério. Nunca abordava um autor sem ter à mão pena e tinta, embora não usasse a memória menos que a pena. Sempre que surgia alguma controvérsia, recolhia os pareceres de todos os autores de forma resumida e anotava seus diversos questionamentos em cadernos preparados para esse fim; ou então, se o texto era longo demais para transcrevê-lo, anotava os dados da obra com o número da página para com isso ajudar a memória.".

"Grandemente beneficiou-se o novo arcebispo de sua velha coleção de notas, que ele utilizou em seu estudo".

"Às cinco da manhã já estava debruçado sobre seus livros e assim continuava estudando e orando até as nove horas.". "Geralmente estudava de pé, poucas vezes se sentava.".

"Não passava nenhuma hora do dia em vão; todas eram empregadas em cuidar da glória de Deus, servir o príncipe ou promover o bem da Igreja. Esse bom emprego do tempo proporcionava-lhe a alegria de ouvir bons comentários de todos, atestando que ele era irrepreensível em suas conversas, como convém a um ministro de Deus.".

Inquisição
Ilustração de Julgamento na Inquisição.
CONTRA-REFORMA INGLESA

Maria Tudor, que reinou de 1553 a 1558, era filha do casal Henrique VIII e Catarina de Aragão. O reinado de Maria ocorreu concomitantemente ao período do desenvolvimento da Contra-Reforma na Igreja Romana no velho continente. Alguns chamam o evento de Contra-Reforma inglesa.

Maria, católica romana de coração, assessorada pelo Cardeal Reginald Pole, forçou o Parlamento a restaurar as práticas religiosas católicas na Inglaterra. O Parlamento concordou nas medidas necessárias, menos na restauração das terras tomadas da Igreja Romana durante o reinado de Henrique VIII. Maria se casou com Filipe II da Espanha, em 1554, mas o casamento foi impopular na Inglaterra. Filipe jamais correspondeu ao amor de Maria Tudor.

"O Parlamento dos Tudors representava o povo, mas atendia mais ao rei do que ao povo; os Tudors governavam como ditadores, dissimulando o punho de ferro com uma luva de pelica.".

Fogueira na Inquisição
Ilustração de Perseguição na Contra-Reforma.
"Cerca de 800 clérigos ingleses recusaram-se a acatar as mudanças e perderam suas paróquias. Os clérigos foram forçados a fugir para Genebra e Frankfurt, para não sucumbirem diante da perseguição desencadeada por Maria Tudor. Perto de 300 pessoas, principalmente das regiões de comércio do sul da Inglaterra, foram martirizadas por sua fé; os primeiros foram Latimer, Ridley e Cranmer. Latimer encorajou a Ridley na fogueira ao dizer que o seu fogo acenderia uma vela na Inglaterra que, pela graça de Deus, jamais seria apagada. De início, Cranmer retratou-se, mas depois retratou-se de sua renegação, e ao ser queimado, colocou a mão que assinara a retratação no fogo até ficar calcinada. Nada fortaleceu a causa do protestantismo mais do que a morte destes dois bravos mártires, cuja fé e coragem convenceram os ingleses da verdade de suas opiniões. O Livro dos Mártires de Foxe (1536) contava essas perseguições em detalhe e granjeou simpatia para o protestantismo".

Perseguição Religiosa
Ilustração de Execução.
Thomas Cranmer foi perseguido, torturado física e intelectualmente, considerado herege pelos poderosos religiosos de sua época. Naquele espetáculo de horrores, findou sua vida no calor terrível da fogueira. Hoje, podemos dizer que Cranmer combateu o bom combate, concluiu a sua carreira e guardou a sua fé. Dentro do seu coração existia a convicção da obra redentora de Jesus Cristo e no seu espírito humano habitava o Espírito Santo do Deus que é Fogo Consumidor. Jamais aquela fogueira alimentada pelos horrores da intolerância religiosa superaria o Fogo Santo que queimava no seu interior.

Morte de Thomas Cranmer
Morte de Thomas Cranmer.
"Uma vez que cheguei ao fim de minha vida, do qual depende toda a minha vida futura, ou para viver com meu Mestre Cristo na felicidade eterna, ou então para sofrer eternamente com os perversos demônios do inferno, vejo na minha frente o céu preparado para receber-me e o inferno disposto a tragar-me. Quero, portanto, declarar perante vós minha verdadeira fé, sem máscara ou dissimulação alguma, pois esta não é a hora de disfarçar, independentemente do que eu disse ou escrevi no passado". Thomas Cranmer.

"Escrevi aquilo por medo da morte e, se fosse possível, para salvar a minha vida. Estou falando de todos aqueles bilhetes e textos que escrevi ou assinei de meu próprio punho desde a minha degradação. Ali escrevi muitas coisas falsas. E pelo fato de que minha mão direita pecou ao escrever contra o meu coração, ela será a primeira a chegar ao fogo, a primeira a ser queimada". Thomas Cranmer.

Quando Thomas Cranmer enfatizou que escreveu muitas coisas falsas, estava referindo-se à sua retratação, quando perante a opressão religiosa cedeu por temor da própria vida. Não devemos acusar Cranmer, certamente muitos de nós teríamos a mesma reação, afinal sua vida estava em jogo e a fogueira era o destino.

"Chegando ao local onde os santos bispos e mártires de Deus, Hugo Latimer e Nicholas Ridley, haviam sido queimados antes dele, [Thomas Cranmer] ajoelhou-se e orou a Deus.".

"Então os frades espanhóis, João e Ricardo, começaram a exortá-lo e a desempenhar de novo seu papel, mas em vão perderam seu tempo. Cranmer, determinado a manter-se firme em sua profissão de doutrina, estendeu a mão a alguns anciãos e a outros circunstantes, despedindo-se deles.".

"Em seguida Cranmer foi amarrado com uma corrente de ferro. Quando ficou claro que sua firmeza não permitiria que ele fosse demovido de suas palavras, mandaram que lhe ateassem fogo. Quando a lenha foi acesa e o fogo começou a queimar perto dele, estendendo o braço, pôs a mão direita no meio das chamas e ali a segurou firme, imóvel (exceto quando a recolheu para passá-la sobre o rosto). Ele queria que todos pudessem ver a mão queimada antes que seu corpo fosse tocado pelas chamas. (...). Tinha os olhos erguidos para o céu e foi repetindo as palavras "sua indigna mão direita" enquanto a voz lhe permitiu. Pronunciando algumas vezes as palavras de Estevão, "Senhor Jesus, recebe o meu espírito", no ardor das chamas entregou a sua alma.".

Biografia Thomas Cranmer
Thomas Cranmer.
(1489-1556)
"Cranmer era um homem de estatura média, de pele sem manchas e um tanto avermelhada. À época de sua morte, tinha a cabeça calva, mas exibia uma longa barba branca e espessa. Tinha sessenta e seis anos de idade quando o queimaram.".

Nesta pequena referência da vida de Thomas Cranmer somos convidados para revermos os alicerces da nossa fé, a forte convicção dentro do nosso espírito humano, o vigor da nossa mente no seio da nossa alma.

Prezados leitores, os senhores são desafiados para expressarem a vossa fé, demonstrarem o calor do Espírito Santo no vosso espírito humano, e principalmente constituírem as vossas mentes com os exemplos dos servos e das servas de nosso Senhor Jesus Cristo.

FONTE:
Livro: O Livro dos Mártires.
354 páginas.
Autor: John Foxe, (1517-1587).
Editora: Mundo Cristão. (Brasil).

Livro: O Cristianismo através dos séculos.
508 páginas.
Autor: Earle E. Cairns.
Editora: Vida Nova. (Brasil).

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Carl Brockhaus

Postado por: O Criador & Criatura

BIOGRAFIA CRISTÃ : Carl Friedrich Wilhelm Brockhaus (1822-1899), também conhecido como Carl Brockhaus, foi Professor e uma das figuras mais importantes do movimento dos Irmãos Unidos na Alemanha.

"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.". (1ª Coríntios 13:13, VRA, SBB).
Carl Brockhaus
Carl Brockhaus.
(1822-1899)
Soest na Alemanha
Soest, Alemanha.
Depois que terminou o seu tempo escolar, frequentou o seminário de professores em Soest na Alemanha entre os anos de 1840 até 1842.

Carl foi um dos alunos preferidos dos professores do seminário devido ao seu caráter sério e estável, concluindo o seminário com honras especiais. Em 1843, começou a lecionar em Breckerfeld perto de Hagen.
Carl Brockhaus não encontrou imediatamente a paz com Deus, procurava servir ao Senhor, mas não encontrava forças para a execução do serviço cristão, permanecendo durante alguns anos na condição miserável descrita em Romanos, capítulo 7.

Em 1848 chegou à plena confiança na obra completa de Cristo através do estudo diligente da Epístola aos Romanos e da Primeira Epístola de João. No ano de 1853, escreveu sobre essa experiência na primeira edição da revista de sua responsabilidade "Botschafter in der Heimat" (Mensageiro do Lar), alterada posteriormente para "Botschafter des Heils in Christo" (Mensageiro da Salvação em Cristo). Nesses anos, com a devida licença dos pastores de Breckerfeld, começou a ministrar aulas bíblicas nos sítios da redondeza compartilhando com outros a Boa Nova do Evangelho. Desde então seu talento evangelístico começou florescer.
Elberfeld na Alemanha
Cartão Postal da Cidade de Elberfeld, Alemanha (1899).
Pouco tempo antes do seu casamento com a senhorita Emile Löwen, Carl Brockhaus tornou-se o principal professor da escola Am Neuenteich em Elberfeld. Durante o seu tempo livre, ele visitava as famílias dos seus alunos e falava aos pais sobre a salvação da alma deles.
No ano de 1848, a revolução estourou e em seguida da agitação e tumultos revolucionários, a cidade de Elberfeld foi vítima da cólera em 1849.
Revolução Alemã
Revolução Alemã.
REVOLUÇÕES DE 1848
PRIMAVERA DOS POVOS

Dá-se o nome de Revoluções de 1848 aos vários acontecimentos revolucionários na Europa central e oriental que eclodiram motivadas: pelos regimes governamentais autocráticos; pelas crises econômicas; pela falta de representatividade política das classes médias; e pelo nacionalismo despertado nas minorias da Europa central e oriental.

Também é chamada de Primavera dos Povos o conjunto de revoluções com caráter: liberal; democrático; e nacionalista. Tais revoluções foram iniciadas por membros da burguesia e da nobreza que exigiam governos constitucionais, bem como por trabalhadores e camponeses que manifestaram rebelião contra os excessos e a difusão das práticas capitalistas.

Em 1849 considerando a fúria da revolução e os horrores da cólera, Carl Brockhaus fundou a "Associação para Educação" com a finalidade de receber e educar crianças negligenciadas.
O desejo do seu coração era e continuava sendo pregar livre e publicamente o evangelho. No ano de 1850, encontrou no jornal regional "Noticiário Diário" um anúncio de alguns cristãos da cidade vizinha de Vohwinkel, marcando uma reunião com vistas à promoção do evangelho. Tal anúncio e intenção era conforme seu gosto e vontade, assim com grande alegria foi para o encontro.
Convicto de ter sido chamado por Deus para esse ministério (Associação Evangélica de Irmãos), Carl Brockhaus desistiu de sua profissão de professor e se dedicou integralmente ao trabalho da associação.

Empregava todas as suas forças no trabalho da Associação Evangélica de Irmãos e para a obra missionária, fundou a revista oficial semanal da associação "Der Säemann für Mission in der Heimat und hausliche Erbauung" (O Semeador para Missão em Casa e para Edificação no Lar). Já naquele ano essa revista chegou a ter uma tiragem de 4.000 exemplares.
Durante esse tempo, ele se reuniria com alguns crentes verdadeiros para meditar na Palavra de Deus. O suíço Heinrich Thorens também frequentava essas reuniões. Ele tinha contato estreito com Julius Anton von Poseck e William Darby - um irmão de John Nelson Darby.

Heinrich Thorens chegou a conhecer as exposições das Escrituras escritas por J.N. Darby na Suíça francesa e compartilhou as mesmas exposições com Carl Brockhaus.

Carl Brockhaus
Carl Brockhaus.
(1822-1899)
Assim, Carl Brockhaus reconheceu aos poucos que não é conforme a vontade de Deus fundar associações e fixar estatutos segundo os quais mensageiros do evangelho são empregados por outros seres humanos, mas que esses devem ser chamados pelo próprio Senhor e que também devem satisfação unicamente a Ele. Também chegou a reconhecer que as igrejas estatais e outras comunidades religiosas, bem como as denominações são meramente instituições humanas.
Esta reflexão é importante, porque muitas pessoas confundem os prédios religiosos com a igreja nos termos bíblicos, também existem aqueles que, embora, tenham clareza que os prédios "templos" não são a igreja, fazem confusão acerca das instituições religiosas, afirmando que tais instituições são a igreja, no entanto, hoje graças ao movimento dos Irmãos Unidos, mesmo nós que nos reunimos em grupos denominacionais fomos iluminados sobre esse assunto. Hoje, muitos crentes que frequentam denominações estão cientes de que a igreja não se confunde com prédios, templos, associações, instituições, denominações, movimentos ou qualquer outra terminologia, mas a igreja é o resultado da nossa união com Cristo através do novo nascimento. Jesus Cristo é o Cabeça e os Seus regenerados são o Seu Corpo configurando um NOVO HOMEM COLETIVO - A NOIVA DE CRISTO. (nota pessoal).
Carl Brockhaus não anunciava mais somente o evangelho puro da graça, mas também a posição perfeita do crente em Cristo diante de Deus e a necessidade de separação dos incrédulos. Claro que isso não passou desapercebido da direção da Associação Evangélica de Irmãos. O diretor intimou-o ou a renunciar suas ideias ou a desligar-se da associação. Depois de ter rogado seriamente ao Senhor por direção e clareza durante um intervalo do debate de várias horas, declarou que não podia desviar-se da verdade da Palavra de Deus e por isso desligou-se da associação.
Na dependência do Senhor começou, então, a pregar por todos os lados. Nessa época sofreu resistência e oposição da Igreja de Estatal. Em muitos lugares crentes verdadeiros deixaram a igreja estabelecida e formaram congregações que se reuniam separadas de todas as instituições clericais e de partidos religiosos para celebrar a Ceia do Senhor, estudar a Palavra de Deus e para orar.
Naqueles dias, ainda não existia liberdade para as reuniões. Por causa disso, Carl Brockhaus chegou a passar por duas vezes vários dias na prisão, uma vez em Dillenburg, outra vez em Herborn no ano de 1853.
Já na primeira metade do ano de 1853, entrou em contato pessoal com John Nelson Darby, de quem já ouvira muito por meio de Heinrich Thorens e dos Irmãos Unidos em Düsseldorf. A primeira carta de J.N. Darby dirigida a ele data do dia 02/05/1853. A primeira visita de John N. Darby para a cidade de Elberfeld aconteceu provavelmente no final do ano de 1853 ou no início de 1854. Depois Carl Brockhaus foi visitar J.N. Darby em 1855, na Inglaterra, para dentre outras coisas fazer aulas de inglês.
Carl Brockhaus, juntamente com J.N. Darby e Julius Anton von Poseck, traduziram o Novo Testamento do grego para o alemão.
A partir do ano de 1853, Carl Brockhaus estava amplamente envolvido com a obra, viajando para pregar o evangelho e visitando as igrejas que surgiram, bem como para instrução dos salvos. A obra se espalhava cada vez mais, além das regiões de Renânia e Vestefália na Alemanha, alcançou também Hesse, Baden, Vurtemberga, Alsácia, Bavária, bem como a Saxônia, Brandenburgo e Frísia Oriental. Muitas vezes estava na Silésia. Foi também muitas vezes aos Países Baixos e à Suíça.
Quando estava em sua residência, não ficava inerte e passivo, pelo contrário, era muito ativo. Laborou na edição de revistas, artigos, folhetos evangelísticos, livretos e livros para edificação e exposição da Palavra de Deus.
Através dos seus escritos, muitas preciosas verdades da Bíblia como a justificação pela fé, a perfeição da obra redentora de Cristo, a unidade dos crentes verdadeiros, a esperança da volta do Senhor para o arrebatamento de Sua Igreja, entre outras, ficaram acessíveis para muitos salvos.

Brincadeira de Criança
Ilustração de crianças brincando.
Era um grande amigo das crianças. O seu amor às crianças o motivou para editar uma revista infantil intitulada "Für die lieben Kleinen" (Para os Queridos Pequenos). Mais tarde, nasceu a revista evangelística "Samenkörner" (Sementes).

Também colaborou com Julius Anton von Poseck na elaboração de um hinário para salvos. Em 1908 o Hinário contava com 147 hinos. Carl Brockhaus foi autor de 55 hinos. O Tenente General von Viebahn disse acerca do Hinário: "Conheço e amo muitos outros hinos espirituais e os uso em minha casa; mas não conheço outro hinário que estivesse tanto em concordância com a Palavra de Deus em cada linha e que expressasse de igual forma a adoração dos salvos".

Elberfelder Bibelübersetzung
Elberfelder Bibelübersetzung.
(Bíblia de Elberfeld)
Uma obra bastante especial de Carl Brockhaus é a edição da hoje amplamente divulgada tradução da Bíblia apelidade de "Elberfelder Bibelübersetzung". Foi a primeira completa e literal tradução da Palavra de Deus para o povo alemão conforme posição atual da crítica textual.

Até hoje, a Bíblia de Elberfeld é conhecida e elogiada pelo fato de reproduzir o texto nos idiomas originais de uma maneira bastante fiel às palavras gregas e hebraicas. Essa importante obra estava no coração de Carl Brockhaus.

O Velho Testamento, desde os dias de Lutero, nunca foi traduzido melhor ao alemão do que na sua edição da Bíblia, e a benção trazida pela Bíblia de Elberfeld dificilmente poderá ser estimada.

Bíblia de Elberfeld
Bíblia de Elberfeld
Durante mais de 40 anos Carl Brockhaus estava ativo. Agora, finalmente, a sua idade avançada não lhe permitiria fazer as suas frequentes viagens. As suas forças diminuíram, o vaso humano estava envelhecido. Os últimos anos de sua vida o prenderam cada vez mais em sua casa e lhe trouxeram diversos desconfortos.

Foram muitas as noites que passou sentado em sua poltrona, porque o estado de seus nervos e de seu coração não lhe permitiam mais deitar. Mesmo assim, era possível vê-lo andando a pé pelas ladeiras do montanhoso vale do rio Wupper, embora fosse uma atividade exaustiva, mas o esforço trazia alegrias para esse homem de Deus, pois o objetivo desse esforço era levar alimento espiritual para as almas que estavam em seu coração, pastoreá-las e nutri-las.

No dia 9 de maio de 1899, na idade de 77 anos, depois de um breve leito de enfermidade, foi ao lar em paz, para estar para sempre com o Senhor Jesus, a Quem serviu aqui com grande felicidade e devoção. Para o seu enterro vieram centenas de pessoas, irmãos de perto e de longe.

O seu amigo Hermanus Cornelis Voorhoeve fez o pequeno discurso e disse:
"... O nosso falecido irmão não era somente um pastor, mas também era um mestre. Quem teve o privilégio de estar presente nas maravilhosas conferências durante tantos anos está profundamente impressionado com isso. Como explicava a Palavra divina de uma maneira clara e explícita, quão emocionante e prático! E muitos de nós ouviram-no - alguns ainda no penúltimo domingo nesse salão - explicar e anunciar as Palavras do Senhor. E um evangelista - sim isso também era, e o era de uma maneira especial... Deus, portanto, nos deu muito, muito nesse irmão. Porém, nós não vimos aqui para elogiar a homens. Não, toda a honra, toda a glória pertence somente ao Senhor. Ele é Quem dá os dons. Ele é Quem envia os Seus servos. Ele é Quem concede a força e Ele é Quem envia as Suas bençãos. Dele é que tudo procede. Ele nos deu Carl Brockhaus, e o deu durante tantos anos, por quase meio século. Assim, com gratidão, dizemos: O Senhor deu! Mas agora temos que acrescentar: O Senhor tomou!... Ele sabe o que faz, e por isso falamos juntamente com Jó: Bendito seja o nome do Senhor!...".
FONTE:
Livro: "Os Irmãos" (Como são chamados) - Sua história e as verdades que professam.
175 páginas.
Autor: Andrew Miller, 1810-1883.
Editora: Depósito de Literatura Cristã - DLC. (Brasil).

JohnDarby.org

Plymouth Brethren

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Textos diversos.

Rudolf Brockhaus

Postado por: O Criador & Criatura


BIOGRAFIA CRISTÃ : Rudolf Brockhaus (1856-1932) foi um Pregador alemão e Intérprete da Bíblia pertencente ao movimento dos Irmãos Unidos na Alemanha. Foi sucessor do seu pai - Carl Brockhaus - na editora no ano de 1894 que foi registrada oficialmente sob o nome "R. Brockhaus Verlag" em Elberfeld.
"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.". (1ª Coríntios 13:13, VRA, SBB).

Rudolf Brockhaus
Rudolf Brockhaus.
(1856-1932)
Rudolf Brockhaus é o quinto filho do casal Carl Brockhaus e Emile Löwen que tinham 13 filhos. Nasceu no dia 13/02/1856 em Elberfeld. Ali frequentou o colegial e posteriormente iniciou o seu aprendizado na área de construção civil. Começou um vínculo empregatício na empresa Gottlieb Scheidt em Mülheim, mas terminou seus estudos de construção civil quando estava trabalhando na empresa Seeger & Frese. Na primeira empresa, conheceu sua esposa, Therese Scheidt, filha única do seu antigo patrão. Os dois casaram no ano de 1881.
Sua esposa era uma companheira fiel e temente a Deus, que suportou com ele as diversas dificuldades e provações ocorrentes na jornada cristã. Desse matrimônio procederam 12 filhos.
Embora Rudolf Brockhaus fosse instruído desde a infância com a mensagem da cruz através dos seus pais, durante muito tempo não alcançou a plena alegria da certeza da salvação. Era cônscio do seu estado de pecador e do poder do pecado sobre o velho homem. Também estava ciente da incapacidade do ser humano lidar com o pecado, mas tinha ciência da obra do Senhor Jesus na cruz.
Quando estava com 15 anos de idade, certa noite chegou tarde na casa de seu pai Carl Brockhaus e devido as circunstâncias foi obrigado a esperar por muito tempo para abrirem a porta da casa, pois embora batesse com insistência ninguém ouvia. Desta forma, sobreveio o terrível medo, pensou que tinha sucedido o arrebatamento da igreja. Acreditou que Jesus Cristo tinha voltado para os seus, mas ele tinha ficado.
Mas, graças a Deus, o Senhor sempre responde a qualquer pessoa que O busca com sinceridade, assim Rudolf Brockhaus com humildade de coração obteve respostas para as suas perguntas.
Durante uma reunião do partir do pão (ceia do Senhor), um irmão agradeceu de forma especial e fervorosa o fato de Jesus Cristo ter concluído com êxito toda a obra na cruz. Assim, ressoava no coração de Rudolf: "Obra com êxito - isso não basta?" - "Sim" - dizia para si mesmo - "basta!". No entanto, uma batalha espiritual estava ocorrendo. Sempre que um cristão é levado para as regiões celestiais em Cristo (Efésio 1:3) enfrenta a oposição daqueles que também estão nas regiões celestiais (Efésios 6:12), ou seja, os principados e potestades, dominadores deste mundo tenebroso, forças espirituais do mal que habitam as regiões celestes. Satanás não deixava Rudolf chegar ao descanso no território da fé. Mas, naquela guerra, Deus soberanamente permitiu que um hino fosse solicitado por um irmão, esse hino falava sobre a alegria especial quanto à obra da redenção cumprida. Todavia, Rudolf pensava: "eu não posso cantar esse hino, porque não é a minha realidade.". Então, novamente ouviu no seu coração: "Não basta aquilo que o Senhor Jesus fez na cruz para ti?". Então, Rudolf Brockhaus respondeu para si mesmo: "Sim, basta - e quero retê-lo!". Nessa oportunidade, a sua consciência chegou a ter descanso, logo alcançaria a profunda alegria da salvação no seu coração.
Depois da reunião, procurou a sua mãe Emile Löwen para compartilhar a sua experiência. Ele disse: "Mãe, agora também posso crer!". Sua mãe comovida e com os olhos cheios de lágrimas permaneceu ouvindo a declaração do seu filho. Foi um momento de muita alegria, assim como os anjos festejam quando uma alma é salva.
Rudolf declarou várias vezes que ele experimentou naquele dia a realidade da Palavra: "Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação" (Romanos 10:10).

Carl Brockhaus
Carl Brockhaus.
(1822-1899)
Na casa paterna, já cedo conheceu as múltiplas tarefas que seu pai Carl Brockhaus exercia na editora, na atividade de pregação do evangelho e na instrução entre os crentes. Ficou familiarizado com a editora de seu pai. Durante as viagens de seu pai para assistir as conferências, visitar as muitas congregações ou para apascentar os irmãos individualmente, Rudolf Brockhaus ajudava nas tarefas associadas à edição das revistas mensais.
Foi editor responsável por "Samenkörner" (Sementes) - revista de conteúdo principalmente despertador e evangelístico. Mais tarde foi acrescentado ao trabalho "Botschafter des Heils in Christo" (Mensageiro da Salvação em Cristo).
Juntamente com o filólogo Dr. Alfred Rochat de Stuttgart, começou a ajudar na tradução do texto do Antigo Testamento da chamada "Bíblia de Elberfeld". Quanto ao Novo Testamento, o Dr. Emil Dönges, que trabalhou na editora de Elberfeld nos anos de 1884 a 1886, ajudou no melhoramento do texto.
No ano de 1894, Carl Brockhaus transferiu a editora aos cuidados do seu filho Rudolf, reconhecendo as suas capacidades espirituais e foi cada vez mais incluído nas viagens do pai.

Rudolf fazia viagens na obra do Senhor juntamente com os irmãos em Cristo mais idosos. Também começou a utilizar os dons dados por Deus para o benefício de todos os irmãos no Senhor.

John Nelson Darby
John Nelson Darby.
(1800-1882)
Durante uma das suas viagens, acompanhou o irmão idoso John Nelson Darby para a Suíça. Na oportunidade, recebeu de J.N. Darby uma instrução detalhada acerca da pessoa descrita em Romanos 7. Quando Darby terminou de expor seus pensamentos. Rudolf finalmente lhe perguntou: "Me parece que o irmão pensa que a pessoa descrita em Romanos 7 ainda não tem o Espírito Santo?". J.N. Darby respondeu: "Pensei que você encontraria dificuldades nesta interpretação, assim queria que você mesmo notasse!".

Nessa viagem, no momento em que estavam voltando de Zurique para Elberfeld, John N. Darby lamentou, porque não foi possível ver o bonito lago de Genebra. Nessa circunstância, Rudolf retrucou: "Mas Sr. Darby, o irmão mesmo me disse que desde os seus anos de juventude não tem feito nenhuma viagem para lazer, apenas única e exclusivamente viagens para a causa de Cristo e Seu reino.".

J.N. Darby respondeu: "Sim, meu querido Rudolf, é verdade. Contudo, Deus em sua misericórdia tem sido gracioso para comigo. O Senhor Jesus tem permitido que durante minhas viagens na obra de Deus, eu veja muitas coisas bonitas nesta Terra por Ele criada. Por exemplo, durante uma de minhas viagens, quando estava nos Estados Unidos, uma irmã perguntou se eu conhecia as Cataratas do Niágara. Respondi para a irmã que nunca tinha visitado tal lugar. Fiquei curioso acerca das Cataratas do Niágara. Então, o que aconteceu? Quando eu estava voltando da viagem, o trem parou em um lugar muito bonito. A locomotiva estava com algum problema e precisava de conserto. Desta forma, os viajantes receberam autorização para que saíssem. Meu caro Rudolf, naquele momento Deus mostrou para mim aquela maravilhosa natureza, as Cataratas do Niágara. Ele mostrou para mim aquele lugar de uma forma tão bonita que dificilmente eu teria visto em outra ocasião.".

O Senhor Jesus também dotou Rudolf Brockhaus de forma especial com o dom de mestre. Esse dom ficava cada vez mais evidente. Rudolf era um guia conforme a Bíblia ensina (Hebreus 13:7). Nas conferências anuais ele deixou as marcas de um humilde e agraciado servo de Jesus Cristo e testemunha de Deus. As suas exposições eram claras e sempre fundadas, eram minuciosas e sucintas, pensava muito antes de proferir qualquer palavra. As suas palavras expressavam o amor para com o Senhor e o cuidado incansável pela igreja. Até mesmo os assuntos mais elevados e difíceis ele sabia explicar com palavras simples e singelas.

Durante uma conferência em Mülheim, um irmão jovem (trinta anos mais novo que o Sr. Rudolf) fez algumas exposições mais prolongadas quanto ao trecho considerado. Para a surpresa de todos os presentes (bem como para o espanto nosso no presente cristianismo, por mais elevado e espiritual que aparente) Rudolf escutava em silêncio e atentamente. Quando o jovem irmão terminou sua explanação, o Sr. Rudolf Brockhaus disse: "Ah, por favor, querido irmão, poderia repetir mais uma vez? As suas explicações foram muito preciosas para mim; gostaria de tomar notas.".

Neste momento, uma pergunta deve ser feita. Quantos líderes foram humildes o suficiente para aprenderem com os símplices irmãos? Durante as conferências e exposições bíblicas, quantos conferencistas testemunharam dizendo que aprenderam com o compartilhar dos outros irmãos? Dizermos que aprendemos coisas com Conferencistas, Pastores, Líderes e Cooperadores é fácil, mas reconhecermos aprendizado com símplices cristãos é mais difícil. Misericórdia Senhor! Ajuda os teus servos! Amém! (nota pessoal).

Depois que assumiu todas as responsabilidades na editora pertencente ao seu pai, apareceram muitos artigos procedentes de sua autoria. Foi um autor com grande entendimento acerca da Verdade, bem como demonstrou muita capacidade para a exposição clara dessas Verdades. Durante toda a sua vida, seguiu o princípio: "nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação, a Bíblia deve ser explicada com a Bíblia.". (2 Pedro 1:20).

Também foi um verdadeiro poeta, assim como os salmistas da Bíblia. Além de vários poemas cristãos seus, os hinos de números 131, 135, 136, 139, 141, 142, 144 e 147 do hinário alemão são de sua autoria. Naquela época o hinário chamava "Pequena coletânea de Hinos Espirituais" (hoje: "Hinos Espirituais"). Poucos dias antes do seu falecimento, escreveu a seguinte "oração":

"Ó minha alma, espera somente em Deus!"
Salmo 62:5
Senhor, faça-me quieto!
Ainda que Teus caminhos
e o Teu bom e santo-fiel cuidado
me conduzam bem diferente do que quero e desejo,
oh, faça me quieto!

Senhor, ensina-me
a me firmar em Teu amor
e confiar sem restrições em Tua sabedoria!
Mesmo quando o que Tu fazes me pareça ser estranho,
oh, ensina-me!

Senhor, Tu és fiel!
Desde os dias de minha meninice
a Tua bondade cuidadosamente me tem sustentado;
mesmo em idade avançada se renova diariamente, a cada hora.
Sim, Tu és fiel!

Senhor, até o alvo
são poucos passos só.
Ouve graciosamente os rogos de Teu servo:
Deixa-me seguir fiel e quietamente aos Teus acenos
Até chegar ao alvo!


Rudolf Brockhaus
Rudolf Brockhaus.
(1856-1932)
No dia 19 de Setembro de 1932, Rudolf Brockhaus faleceu em paz, para ir ao lar junto de seu Senhor. Mais de 1.000 pessoas compareceram, irmãos e irmãs vieram de vários lugares para acompanharem o seu enterro. Na ocasião, J. N. Voorhoeve (1873-1948) dos Países Baixos discursou:
"Por que todos nós amávamos tanto o irmão Rudolf Brockhaus? Será que é porque o nosso irmão era muito gentil, simpático até mesmo para com as crianças que se alegravam com suas visitas? Sim, o nosso irmão era gentil, atencioso e tinha um coração voltado para as necessidades de todos. Ele perguntava sobre todas as carências dos irmãos e por isso nós o amávamos. Porém, essa não é a principal resposta. / Será que é devido ao seu testemunho, ou seja, desde jovem ficou disponível ao serviço do Senhor Jesus, bem como reteve muita fidelidade durante toda a sua vida para com a Bíblia? Certamente, isso é válido, ele não dedicou apenas o último tempo de sua vida ou mesma a metade de sua vida para Deus, mas dedicou toda a sua vida ao serviço do Senhor Jesus. No entanto, essa não é a principal resposta. / Será que é porque Rudolf demonstrava muita humildade, ou seja, quando estava errado, não tinha vergonha de confessar na primeira oportunidade e publicamente? Também por isso nós o amávamos, porque demonstrava muita humildade, característica  que deve ser marcante na vida de qualquer servo de Deus. Mas essa também não é a principal resposta. / Será devido aos seus dons? Claro que ele possuía muitos dons, era um ótimo orador. Escreveu vários hinos que transmitem vida aos nossos corações. Contudo, também, não é a real resposta. / Será que finalmente achamos a resposta? Talvez seja porque participou da nova tradução da Bíblia e de sua proliferação, bem como editou bons livros? Sem dúvida essa é uma das razões que motivaram o nosso amor por esse servo, mas a resposta para a nossa pergunta inicial não foi dada com isso. / A verdadeira resposta é outra. Quero mencioná-la com as palavras das Escrituras. Nós amávamos tanto ao falecido, porque ele "manejava bem a palavra da verdade." (2 Timóteo 2:15). Era isso realmente o que caracterizava o seu ministério, principalmente nas inúmeras conferências que participou e realizou. Assim foram colocados os fundamentos para verdadeiras e permanentes estimas de amor! / Grande é agora a nossa tristeza. Já sentimos falta do nosso irmão Rudolf Brockhaus. Por outro lado, o nosso irmão seria o primeiro a conduzir a nossa atenção para longe de si mesmo, focalizando sempre a Pessoa de Jesus Cristo. Independentemente de quem nos deixa - o Senhor sempre permanece conosco até o fim dos tempos! / Agora vamos para frente, corajosos, aprendendo as lições de vida do nosso irmão Rudolf Brockhaus, ou seja, manejar bem a Palavra da Verdade, defender a Bíblia, não vender a Visão por preço algum. Assim, Deus continuará nos abençoando! / Quando os homens de Deus partem desta vida, quando servos estimados de Cristo, cheios de ensinamentos e instruções na Palavra deixam esta Terra, os receios pairam sobre o Povo de Deus. Perguntas começam a surgir: "O que vai acontecer?". Nessas situações, o Senhor Deus esmaga as dúvidas, espanca o medo e renova a fé dos seus escolhidos. Por isso irmãos, levantemos os olhos ao Deus de Elias, ao Deus de nosso irmão Rudolf Brockhaus, que também é o nosso amado Deus!".
FONTE:

Livro: "Os Irmãos" (Como são chamados) - Sua história e as verdades que professam.
175 páginas.
Autor: Andrew Miller, 1810-1883.
Editora: Depósito de Literatura Cristã - DLC. (Brasil).

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