quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Rudolf Brockhaus

Postado por: O Criador & Criatura


BIOGRAFIA CRISTÃ : Rudolf Brockhaus (1856-1932) foi um Pregador alemão e Intérprete da Bíblia pertencente ao movimento dos Irmãos Unidos na Alemanha. Foi sucessor do seu pai - Carl Brockhaus - na editora no ano de 1894 que foi registrada oficialmente sob o nome "R. Brockhaus Verlag" em Elberfeld.
"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.". (1ª Coríntios 13:13, VRA, SBB).

Rudolf Brockhaus
Rudolf Brockhaus.
(1856-1932)
Rudolf Brockhaus é o quinto filho do casal Carl Brockhaus e Emile Löwen que tinham 13 filhos. Nasceu no dia 13/02/1856 em Elberfeld. Ali frequentou o colegial e posteriormente iniciou o seu aprendizado na área de construção civil. Começou um vínculo empregatício na empresa Gottlieb Scheidt em Mülheim, mas terminou seus estudos de construção civil quando estava trabalhando na empresa Seeger & Frese. Na primeira empresa, conheceu sua esposa, Therese Scheidt, filha única do seu antigo patrão. Os dois casaram no ano de 1881.
Sua esposa era uma companheira fiel e temente a Deus, que suportou com ele as diversas dificuldades e provações ocorrentes na jornada cristã. Desse matrimônio procederam 12 filhos.
Embora Rudolf Brockhaus fosse instruído desde a infância com a mensagem da cruz através dos seus pais, durante muito tempo não alcançou a plena alegria da certeza da salvação. Era cônscio do seu estado de pecador e do poder do pecado sobre o velho homem. Também estava ciente da incapacidade do ser humano lidar com o pecado, mas tinha ciência da obra do Senhor Jesus na cruz.
Quando estava com 15 anos de idade, certa noite chegou tarde na casa de seu pai Carl Brockhaus e devido as circunstâncias foi obrigado a esperar por muito tempo para abrirem a porta da casa, pois embora batesse com insistência ninguém ouvia. Desta forma, sobreveio o terrível medo, pensou que tinha sucedido o arrebatamento da igreja. Acreditou que Jesus Cristo tinha voltado para os seus, mas ele tinha ficado.
Mas, graças a Deus, o Senhor sempre responde a qualquer pessoa que O busca com sinceridade, assim Rudolf Brockhaus com humildade de coração obteve respostas para as suas perguntas.
Durante uma reunião do partir do pão (ceia do Senhor), um irmão agradeceu de forma especial e fervorosa o fato de Jesus Cristo ter concluído com êxito toda a obra na cruz. Assim, ressoava no coração de Rudolf: "Obra com êxito - isso não basta?" - "Sim" - dizia para si mesmo - "basta!". No entanto, uma batalha espiritual estava ocorrendo. Sempre que um cristão é levado para as regiões celestiais em Cristo (Efésio 1:3) enfrenta a oposição daqueles que também estão nas regiões celestiais (Efésios 6:12), ou seja, os principados e potestades, dominadores deste mundo tenebroso, forças espirituais do mal que habitam as regiões celestes. Satanás não deixava Rudolf chegar ao descanso no território da fé. Mas, naquela guerra, Deus soberanamente permitiu que um hino fosse solicitado por um irmão, esse hino falava sobre a alegria especial quanto à obra da redenção cumprida. Todavia, Rudolf pensava: "eu não posso cantar esse hino, porque não é a minha realidade.". Então, novamente ouviu no seu coração: "Não basta aquilo que o Senhor Jesus fez na cruz para ti?". Então, Rudolf Brockhaus respondeu para si mesmo: "Sim, basta - e quero retê-lo!". Nessa oportunidade, a sua consciência chegou a ter descanso, logo alcançaria a profunda alegria da salvação no seu coração.
Depois da reunião, procurou a sua mãe Emile Löwen para compartilhar a sua experiência. Ele disse: "Mãe, agora também posso crer!". Sua mãe comovida e com os olhos cheios de lágrimas permaneceu ouvindo a declaração do seu filho. Foi um momento de muita alegria, assim como os anjos festejam quando uma alma é salva.
Rudolf declarou várias vezes que ele experimentou naquele dia a realidade da Palavra: "Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação" (Romanos 10:10).

Carl Brockhaus
Carl Brockhaus.
(1822-1899)
Na casa paterna, já cedo conheceu as múltiplas tarefas que seu pai Carl Brockhaus exercia na editora, na atividade de pregação do evangelho e na instrução entre os crentes. Ficou familiarizado com a editora de seu pai. Durante as viagens de seu pai para assistir as conferências, visitar as muitas congregações ou para apascentar os irmãos individualmente, Rudolf Brockhaus ajudava nas tarefas associadas à edição das revistas mensais.
Foi editor responsável por "Samenkörner" (Sementes) - revista de conteúdo principalmente despertador e evangelístico. Mais tarde foi acrescentado ao trabalho "Botschafter des Heils in Christo" (Mensageiro da Salvação em Cristo).
Juntamente com o filólogo Dr. Alfred Rochat de Stuttgart, começou a ajudar na tradução do texto do Antigo Testamento da chamada "Bíblia de Elberfeld". Quanto ao Novo Testamento, o Dr. Emil Dönges, que trabalhou na editora de Elberfeld nos anos de 1884 a 1886, ajudou no melhoramento do texto.
No ano de 1894, Carl Brockhaus transferiu a editora aos cuidados do seu filho Rudolf, reconhecendo as suas capacidades espirituais e foi cada vez mais incluído nas viagens do pai.

Rudolf fazia viagens na obra do Senhor juntamente com os irmãos em Cristo mais idosos. Também começou a utilizar os dons dados por Deus para o benefício de todos os irmãos no Senhor.

John Nelson Darby
John Nelson Darby.
(1800-1882)
Durante uma das suas viagens, acompanhou o irmão idoso John Nelson Darby para a Suíça. Na oportunidade, recebeu de J.N. Darby uma instrução detalhada acerca da pessoa descrita em Romanos 7. Quando Darby terminou de expor seus pensamentos. Rudolf finalmente lhe perguntou: "Me parece que o irmão pensa que a pessoa descrita em Romanos 7 ainda não tem o Espírito Santo?". J.N. Darby respondeu: "Pensei que você encontraria dificuldades nesta interpretação, assim queria que você mesmo notasse!".

Nessa viagem, no momento em que estavam voltando de Zurique para Elberfeld, John N. Darby lamentou, porque não foi possível ver o bonito lago de Genebra. Nessa circunstância, Rudolf retrucou: "Mas Sr. Darby, o irmão mesmo me disse que desde os seus anos de juventude não tem feito nenhuma viagem para lazer, apenas única e exclusivamente viagens para a causa de Cristo e Seu reino.".

J.N. Darby respondeu: "Sim, meu querido Rudolf, é verdade. Contudo, Deus em sua misericórdia tem sido gracioso para comigo. O Senhor Jesus tem permitido que durante minhas viagens na obra de Deus, eu veja muitas coisas bonitas nesta Terra por Ele criada. Por exemplo, durante uma de minhas viagens, quando estava nos Estados Unidos, uma irmã perguntou se eu conhecia as Cataratas do Niágara. Respondi para a irmã que nunca tinha visitado tal lugar. Fiquei curioso acerca das Cataratas do Niágara. Então, o que aconteceu? Quando eu estava voltando da viagem, o trem parou em um lugar muito bonito. A locomotiva estava com algum problema e precisava de conserto. Desta forma, os viajantes receberam autorização para que saíssem. Meu caro Rudolf, naquele momento Deus mostrou para mim aquela maravilhosa natureza, as Cataratas do Niágara. Ele mostrou para mim aquele lugar de uma forma tão bonita que dificilmente eu teria visto em outra ocasião.".

O Senhor Jesus também dotou Rudolf Brockhaus de forma especial com o dom de mestre. Esse dom ficava cada vez mais evidente. Rudolf era um guia conforme a Bíblia ensina (Hebreus 13:7). Nas conferências anuais ele deixou as marcas de um humilde e agraciado servo de Jesus Cristo e testemunha de Deus. As suas exposições eram claras e sempre fundadas, eram minuciosas e sucintas, pensava muito antes de proferir qualquer palavra. As suas palavras expressavam o amor para com o Senhor e o cuidado incansável pela igreja. Até mesmo os assuntos mais elevados e difíceis ele sabia explicar com palavras simples e singelas.

Durante uma conferência em Mülheim, um irmão jovem (trinta anos mais novo que o Sr. Rudolf) fez algumas exposições mais prolongadas quanto ao trecho considerado. Para a surpresa de todos os presentes (bem como para o espanto nosso no presente cristianismo, por mais elevado e espiritual que aparente) Rudolf escutava em silêncio e atentamente. Quando o jovem irmão terminou sua explanação, o Sr. Rudolf Brockhaus disse: "Ah, por favor, querido irmão, poderia repetir mais uma vez? As suas explicações foram muito preciosas para mim; gostaria de tomar notas.".

Neste momento, uma pergunta deve ser feita. Quantos líderes foram humildes o suficiente para aprenderem com os símplices irmãos? Durante as conferências e exposições bíblicas, quantos conferencistas testemunharam dizendo que aprenderam com o compartilhar dos outros irmãos? Dizermos que aprendemos coisas com Conferencistas, Pastores, Líderes e Cooperadores é fácil, mas reconhecermos aprendizado com símplices cristãos é mais difícil. Misericórdia Senhor! Ajuda os teus servos! Amém! (nota pessoal).

Depois que assumiu todas as responsabilidades na editora pertencente ao seu pai, apareceram muitos artigos procedentes de sua autoria. Foi um autor com grande entendimento acerca da Verdade, bem como demonstrou muita capacidade para a exposição clara dessas Verdades. Durante toda a sua vida, seguiu o princípio: "nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação, a Bíblia deve ser explicada com a Bíblia.". (2 Pedro 1:20).

Também foi um verdadeiro poeta, assim como os salmistas da Bíblia. Além de vários poemas cristãos seus, os hinos de números 131, 135, 136, 139, 141, 142, 144 e 147 do hinário alemão são de sua autoria. Naquela época o hinário chamava "Pequena coletânea de Hinos Espirituais" (hoje: "Hinos Espirituais"). Poucos dias antes do seu falecimento, escreveu a seguinte "oração":

"Ó minha alma, espera somente em Deus!"
Salmo 62:5
Senhor, faça-me quieto!
Ainda que Teus caminhos
e o Teu bom e santo-fiel cuidado
me conduzam bem diferente do que quero e desejo,
oh, faça me quieto!

Senhor, ensina-me
a me firmar em Teu amor
e confiar sem restrições em Tua sabedoria!
Mesmo quando o que Tu fazes me pareça ser estranho,
oh, ensina-me!

Senhor, Tu és fiel!
Desde os dias de minha meninice
a Tua bondade cuidadosamente me tem sustentado;
mesmo em idade avançada se renova diariamente, a cada hora.
Sim, Tu és fiel!

Senhor, até o alvo
são poucos passos só.
Ouve graciosamente os rogos de Teu servo:
Deixa-me seguir fiel e quietamente aos Teus acenos
Até chegar ao alvo!


Rudolf Brockhaus
Rudolf Brockhaus.
(1856-1932)
No dia 19 de Setembro de 1932, Rudolf Brockhaus faleceu em paz, para ir ao lar junto de seu Senhor. Mais de 1.000 pessoas compareceram, irmãos e irmãs vieram de vários lugares para acompanharem o seu enterro. Na ocasião, J. N. Voorhoeve (1873-1948) dos Países Baixos discursou:
"Por que todos nós amávamos tanto o irmão Rudolf Brockhaus? Será que é porque o nosso irmão era muito gentil, simpático até mesmo para com as crianças que se alegravam com suas visitas? Sim, o nosso irmão era gentil, atencioso e tinha um coração voltado para as necessidades de todos. Ele perguntava sobre todas as carências dos irmãos e por isso nós o amávamos. Porém, essa não é a principal resposta. / Será que é devido ao seu testemunho, ou seja, desde jovem ficou disponível ao serviço do Senhor Jesus, bem como reteve muita fidelidade durante toda a sua vida para com a Bíblia? Certamente, isso é válido, ele não dedicou apenas o último tempo de sua vida ou mesma a metade de sua vida para Deus, mas dedicou toda a sua vida ao serviço do Senhor Jesus. No entanto, essa não é a principal resposta. / Será que é porque Rudolf demonstrava muita humildade, ou seja, quando estava errado, não tinha vergonha de confessar na primeira oportunidade e publicamente? Também por isso nós o amávamos, porque demonstrava muita humildade, característica  que deve ser marcante na vida de qualquer servo de Deus. Mas essa também não é a principal resposta. / Será devido aos seus dons? Claro que ele possuía muitos dons, era um ótimo orador. Escreveu vários hinos que transmitem vida aos nossos corações. Contudo, também, não é a real resposta. / Será que finalmente achamos a resposta? Talvez seja porque participou da nova tradução da Bíblia e de sua proliferação, bem como editou bons livros? Sem dúvida essa é uma das razões que motivaram o nosso amor por esse servo, mas a resposta para a nossa pergunta inicial não foi dada com isso. / A verdadeira resposta é outra. Quero mencioná-la com as palavras das Escrituras. Nós amávamos tanto ao falecido, porque ele "manejava bem a palavra da verdade." (2 Timóteo 2:15). Era isso realmente o que caracterizava o seu ministério, principalmente nas inúmeras conferências que participou e realizou. Assim foram colocados os fundamentos para verdadeiras e permanentes estimas de amor! / Grande é agora a nossa tristeza. Já sentimos falta do nosso irmão Rudolf Brockhaus. Por outro lado, o nosso irmão seria o primeiro a conduzir a nossa atenção para longe de si mesmo, focalizando sempre a Pessoa de Jesus Cristo. Independentemente de quem nos deixa - o Senhor sempre permanece conosco até o fim dos tempos! / Agora vamos para frente, corajosos, aprendendo as lições de vida do nosso irmão Rudolf Brockhaus, ou seja, manejar bem a Palavra da Verdade, defender a Bíblia, não vender a Visão por preço algum. Assim, Deus continuará nos abençoando! / Quando os homens de Deus partem desta vida, quando servos estimados de Cristo, cheios de ensinamentos e instruções na Palavra deixam esta Terra, os receios pairam sobre o Povo de Deus. Perguntas começam a surgir: "O que vai acontecer?". Nessas situações, o Senhor Deus esmaga as dúvidas, espanca o medo e renova a fé dos seus escolhidos. Por isso irmãos, levantemos os olhos ao Deus de Elias, ao Deus de nosso irmão Rudolf Brockhaus, que também é o nosso amado Deus!".
FONTE:

Livro: "Os Irmãos" (Como são chamados) - Sua história e as verdades que professam.
175 páginas.
Autor: Andrew Miller, 1810-1883.
Editora: Depósito de Literatura Cristã - DLC. (Brasil).

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